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quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

O leitinho das crianças, como antigamente


Quase dei pulinhos de alegria ao saber que uma empresa de laticínios do Rio de Janeiro está embalando leite em garrafas não retornáveis de vidro.
É quase patético de tão óbvio, mas como Cidadão Kane com seu "Rosebud", eu sei que realmente estarei ligada a objetos que remetem ao quintal da minha avó materna para sempre.
São lembranças doces que vêm daqueles tempos da primeira infância.
A importância das memórias infantis é tão forte e tão visceral em mim que às vezes perco o sono, tremendo de medo e ansiedade, pensando em como tentar dar à minha filha doses cavalares de primeira infância feliz.
É que para mim, neste caso específico, o leite em garrafa de vidro significa muito. Ele era trazido pelo leiteiro numa carroça puxada por cavalos todas as manhãs à casa da minha avó em Montevidéu. A rua dela é de paralelepípedos, e você já sabia que o leiteiro estava chegando pelo slap, slap, slap dos passos do cavalo no asfalto recortado. Depois, chegava aquela garrafa geladinha com a tampa de alumínio, que ele deixava bem na porta. Era linda. Design perfeito.
Ao abri-la, vinha o cheiro característico, o sabor, e a bela garrafa que sobrava depois, que se por algum acaso não fosse devolvida, logo virava vaso de flor ou garrafa para colocar água gelada na geladeira. Não são lembranças, são carícias guardadas no tempo da memória.
E melhor, a tal garrafinha era quase sempre deixada na porta para ser reciclada depois. Um ciclo de uso bacana, um ritual limpo. Tem simplesmente algumas coisas que parecem ser corretas. Viva o glamour clássico-retrô do vidro, abaixo o plástico!

Eis a empresa que teve a iniciativa: Vitalatte Laticínios (www.vitalatte.com.br). Pena que ainda não tem em São Paulo...

sexta-feira, 7 de maio de 2010

Por uma vida menos tóxica




Eu sempre fui a menina da bolha. Alérgica a tudo. Pêlo de bicho, ácaro, chocolate, mofo, enfim, tudo aquilo de mais comum que pode irritar o sistema respiratório de uma criança. Essa sensibilidade exacerbada me fez crescer prestando atenção a coisas tóxicas de todo tipo.


Se eu sofro, é porque os níveis de contaminação estão altos. Foi assim para várias casas recém-reformadas para as quais me mudei ao longo da vida. É assim em lojas de shopping center ou lugares novinhos em folha, onde todas aquelas substâncias químicas estão soltas no ar.

Se você se sente cansado ou com dor de cabeça após algumas horas circulando num shopping, talvez você seja do meu time.


Mas tudo isso pra dizer que há um tipo de poluição pouco comentada, mas letal, responsável pelo aumento da incidência de câncer em países desenvolvidos (e mais industrializados, mas tenho certeza que também por aqui). É a "poluição" provocada por substâncias químicas que cercam praticamente todos os produtos que encontramos para comprar nas prateleiras.


Hoje um bebê nasce com 300 contaminantes detectados já no seu cordão umbilical. A isso vão se somar milhares e milhares de substâncias tóxicas, poucas delas reguladas pelas autoridades de saúde. A ligação delas com o câncer tem sido feita em vários estudos. Deixo aqui um link para o artigo de Nicholas D. Kristof do New York Times, que trata amplamente do tema e dá links para as novas pesquisas que estão saindo sobre o assunto.


Pelo momento, as dicas que ele enumera para se ter uma vida menos tóxica são:


* Escolha comidas, brinquedos e produtos para o jardim com menos disruptores endócrinos e outras toxinas especialmente para crianças e mulheres grávidas, mais sobre o tema você encontra nestes sites http://www.cosmeticsdatabase.com/ e http://www.healthystuff.org/

* Quem trabalha com produtos químicos deve tirar a roupa ao chegar em casa e lavá-la separadamente do resto da família.

* Só beba água filtrada.
* Guarde a água em recipientes de vidro ou aço inox, ou em plástico que não contenham BPA (bisfenol) ou substâncias tóxicas com os ftlatos, que tornam o plástico mais flexível (já falaremos mais pra frente isso...)

* Só coloque comida no microondas em recipientes de vidro ou cerâmica (nada de plástico, de novo).

* Dê prefência à comida cultivada sem pesticidas, fertilizantes químicos ou hormônios de crescimento.

* Evite carnes cozidas em demasia.